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Armando Babaioff discute homossexualidade em peça que o fez chorar e critica preconceito

‘Sexualidade, homofobia, amor, verdade, mentira. A dificuldade de ser quem a gente é”. Assim, Armando Babaioff define sua terceira produção, “Tom na fazenda”, que entra em cartaz amanhã, no Oi Futuro Flamengo.

— Há dois anos, eu comprei a versão online da peça e, quando terminei de ler, eu me identifiquei tanto que estava aos prantos. Mandei um e-mail para o autor (o canadense Michel Marc Bouchard), ele respondeu e, logo depois que traduzi, eu já estava com os direitos autorais comprados. Aí começou a ‘via-crúcis’, porque tem que ter fígado para produzir cultura nesse país — pontua o ator.

Amigo do brasileiro, Bouchard vem conferir pessoalmente a adaptação de sua obra encenada aqui. Na história, após a morte do namorado, o publicitário Tom (Babaioff) vai à fazenda onde moram a sogra, Agatha (Kelzy Ecard), e o cunhado, Francis (Gustavo Vaz), para o funeral. E aí ele percebe que é um completo desconhecido. Ninguém sabe sobre a opção sexual do morto, e Tom vira refém da família.

Em fase de desapego, Babaioff trocou o carro pelo transporte público
Em fase de desapego, Babaioff trocou o carro pelo transporte público Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Fora do palco, o preconceito também pesou nos ombros do ator na busca por patrocínio.

— Uma empresa disse que era conservadora demais para o nosso projeto. O Brasil é o país onde gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais mais morrem no mundo. Se isso não é uma questão a ser tratada, eu desisto. Precisamos falar sobre essa questão.

No ar como o médico Bruno de “A lei do amor”, Babaioff já levantou a discussão quando viveu um gay na novela “Tititi” (2010 ):

— Uma vez, um senhor me abraçou e disse que por causa da novela ele voltou a falar com o filho. Recebi muitas cartas de jovens e de homens mais velhos também, que não assumiram a sexualidade na juventude e ficaram amargurados. A televisão tem seu papel educativo. Eu sou um artista e preciso dizer para o mundo o que eu penso, se não for assim eu sofro!

Na TV, ele é Bruno, o médico de ‘A lei do amor’
Na TV, ele é Bruno, o médico de ‘A lei do amor’ Foto: Divulgação/Rede Globo

Gente como a gente

Pé no chão, Armando Babaioff rema na contramão da fogueira das vaidades que cerca o mundo artístico.

— Não sou vaidoso, no sentido de ter essa necessidade de estar à mostra, frequentando certos lugares por frequentar. Estou trabalhando o desapego. Vendi meu carro, não por necessidade, mas porque eu não queria mais ter. Por entender que a gente está com a cidade lotada, dirigir me deixava estressado, fiz as contas e percebi que eu gastava muito mais. Ando de ônibus, de metrô, sem boné nem óculos de sol, normal mesmo. Esses dias foi até engraçado porque fui de Copacabana ao Largo do Machado, e no vagão lotado,fiz várias selfies. Não estou preocupado com isso. Bobas são as pessoas que acham que eu não tenho direito de usar transporte público — enfatiza.

Sem luxo nem jabá, o que ele gosta mesmo é de se reinventar, de experimentar.

— Criei uma festa há quatro anos, a Sopa, da qual sou DJ. Eu gosto de me provocar, criar, promover. E não tem glamour nenhum nisso, eu sou um operário. Nunca tive acesso a escolas particulares de teatro, sempre estudei em escola pública. Nunca me deslumbrei com fama. Não gosto de eventos, e não é porque tenho implicância ou sou tímido, é porque não gosto mesmo. E as coisas que me interessam eu faço questão de pagar.

 

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