3.0 // MANUAL3.1 // LGBT

Barreiras e tabus na transa sexual entre os diversos gêneros

Conheceu uma pessoa que lhe atraiu em todos os detalhes e chegou a hora de decidir se vai ou não para a cama? Nessa hora, surgem diversas dúvidas e algumas preocupações como a timidez, as questões físicas do tipo “estar tudo em ordem e no lugar certo”, a roupa íntima usada na ocasião. Hoje, além dessas, existem outras como tentar descobrir se a pessoa que lhe atraiu pertence ao mesmo gênero sexual que o seu ou a um dos mais diversos tipos conhecidos ou que ainda estão sendo definidos e que tornaram a sigla LGBT um pouco maior. Seja numa balada, num bar da moda, num evento qualquer ou em situações do cotidiano, quando as pessoas encontram e se interessam umas pelas outras, a decisão de ir para a cama agora passa também por esse tema.

A sigla LGBT atual já possui outras letras e símbolos. É atualmente reconhecida como LGBTQIA+, ou seja, novos gêneros já foram incorporados a sigla original. Nova York, nos Estados Unidos, reconhece 31 gêneros sexuais, enquanto o aplicativo Tinder aceita 37 gêneros entre seus usuários, só para ter uma ideia de como esse tema é importante tanto no mundo real como no virtual. A adoção de novas opções é uma tendência na indústria de tecnologia que sempre abre novas identidades de gênero. O Facebook, por exemplo, permite aos usuários personalizar a identificação de gênero. A novidade está disponível nos EUA, Canadá e Reino Unido, mas não tem previsão de chegar aos brasileiros.

A orientação sexual é um dos assuntos mais falados dos últimos anos e sua marca principal é a luta constante pelos direitos dos homossexuais e a aceitação do grupo pela sociedade. Mostrar que não existem somente homens que se relacionam com homens ou mulheres que se relacionam com outras mulheres, mas muitas outras orientações sexuais, faz parte do processo do surgimento das muitas variantes. Nas muitas tentativas de explicar esse processo, há quem afirme que todo ser humano tem uma vontade sexual diferente e, por existir tantos seres humanos vivos, as preferências se uniram formando as novas sexualidades.

Para a sexóloga Carla Cecarello, consultora do site de relacionamentos C-date esse tema é importante ser discutido, especialmente porque as pessoas querem se identificar com suas opções sexuais. Sobre as dúvidas em torno das relações entre os gêneros diferentes, a especialista diz que elas não são bem aceitas porque ainda há preconceitos na sociedade. “Eu atendi um paciente que era cross dresser e a esposa não aceitou quando ele contou. Eles estavam partindo para a separação, porque é um choque”, exemplificou a sexóloga para mostrar até que ponto chega esse preconceito.

Quando a possibilidade de ir para a cama ocorre ou se conhece a pessoa que pertence a um dos tipos de gênero em um encontro casual, de forma imediata numa situação cotidiana, pode ser um problema se a pessoa destaca sua orientação. “A possibilidade é que nem um nem outro se sinta muito bem e aquele tesão inicial, quando se conheceram, seja perdido”, destaca Carla Cecarello. Por outro lado, quando a pessoa está disponível para uma relação casual e tem a mente aberta, ela pode aceitar numa boa. “Se essa pessoa quer mais usufruir e ter uma sensação sexual diferente, prazerosa, ela pode ir para a cama sem reservas e experimentar numa boa, o que será bom para ambos, tanto para quem se encaixa num dos gêneros ou para quem é heterossexual, por exemplo”, completa a especialista.

A grande maioria das pessoas, no entanto, tem muitos preconceitos ou então não entendem todos esses conceitos. “Muitas pessoas acham que isso não faz parte de um procedimento natural da vida”, salienta a sexóloga. Por isso, segundo ela, é bem confuso quando uma orientação sexual ou gênero é descoberto, por exemplo, num encontro casual. “A diferença é que quem está num site de sexo casual tem a mente mais aberta e propenso a ter experiências diferentes”, ressalta a especialista. As pessoas já sabem o que querem e a plataforma permite as pessoas se conhecerem, trocarem informações e se prepararem antes do encontro ocorrer. É um fator que contribui para reduzir os tabus.

Há gêneros que se tornaram mais conhecidos, como os homossexuais. Há outros, porém, que dificilmente são citados ou comentados e que ainda não são muito conhecidos. A sexóloga listou alguns e explicou as características de cada:

Cisgenero: pessoa que se identifica com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.

Crossdressing: hábito de usar roupas ou objetos característicos do sexo oposto no dia a dia. É um fetiche.

Agenero: pessoa que não se identifica ou não se sente pertencente a nenhum gênero.

LGBTQIA +: sigla utilizada para se referir às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgeneros, transexuais, travestis, queers, questionandos, intersexuais, assexuais e outras sexualidades e identidades de gênero ainda não incluídas. Em alguns casos, usa-se o A como “aliados”.

Queer: termo que tem uma variedade de significados, já foi usado como pejorativo. Tanto que em dicionários da língua inglesa conta como “esquisito”, “estranho”, “excêntrico “. Atualmente, pode ser utilizado como um adjetivo, um verbo (queering), um substantivo, uma identidade, uma orientação afetivo-sexual e uma identidade de gênero (como na identificação genderqueer: gênero queer). Nesse caso, significa que as pessoas que se auto identificam como gênero queer transitam entre os gêneros masculino e feminino ou, até, estão além deles, em um lugar onde o binarismo não faz sentido.

Binarismo de gênero: ideia de que só existe macho/fêmea, masculino/feminino, homem/mulher e é considerado limitante para as pessoas não-binárias.

Pansexual: pan, palavra que vem do grego e significa “tudo”, “todos”. Está relacionado a aquelas pessoas que sentem atração amorosa ou sexual por todos os gêneros e sexos.

Andrógino: refere-se a união de características masculinas e femininas em um único ser.

 - REVISTA MAISJR

saiba antes via instagram @revista.maisjr