2.6 // POP & MÚSICA3.1 // LGBT

Câmara Municipal aprova Conselho LGBT

  • Em primeira votação, projeto obtém 12 votos favoráveis, duas abstenções e cinco contrários
  • Vereadora Tatiana Lemos já negocia com os ausentes a aprovação em segunda votação da mensagem
  • Instância LGBT terá caráter consultivo para discutir, propor e fiscalizar políticas públicas
  • Anselmo Pereira defende projeto e Cristina Lemos ataca Oséias Varão, defensor da “cura
  • Gay”

A bancada evangélica na Câmara Municipal de Goiânia sofreu, ontem, em plenário, derrota na votação do projeto de lei que propõe a criação do Conselho Municipal de Direitos Humanos das Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais [LGBTs]. Por 12 votos favoráveis, cinco contrários e apenas duas abstenções. É o que diz a vereadora Tatiana Lemos [PC do B] ao Diário da Manhã

– Trata  se da primeira votação na Câmara Municipal de Goiânia do projeto de lei que cria o Conselho Municipal de Direitos Humanos LGBT.

O conselho LGBT terá caráter consultivo para discutir, propor e fiscalizar políticas públicas relativas aos direitos humanos das minorias sexuais, na Capital do Estado, aponta, emocionada. Os vereadores da bancada evangélica, de tendência comportamental conservadora, tentaram até o último minuto da sessão impedir a aprovação, com discursos discriminatórios,frisa

– O Brasil e Goiânia precisam respeitar os direitos LGBTs!

Polêmica 

A parlamentar avalia que a polêmica criada é desnecessária. Primeiro, porque o projeto autoriza a criação do Conselho pelo Poder Executivo, explica ela. Segundo, vereadores de linhagem conservadora querem proibir as pessoas de pensar ou elaborar políticas públicas para coibir ações criminosas contra LGBTs, diz

– De pessoas que possuem orientações sexuais diferentes dos heterossexuais.

A líder comunista relata que 350 mortes teriam ocorrido no Brasil apenas no ano de 2016. Os dados são da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Onde está o direito constitucional à vida?, questiona. O recado é para o vereado Oséias Varão (PSB), ‘fundamentalista evangélico’.

– Cadê o Deus que tantos aqui dizem acreditar e defender onde o primeiro mandamento é amar o próximo e o sexto, não matarás?

Tatiana Lemos lembra que, no Brasil, como determina a Constituição Federal, promulgada dia 5 de outubro de 1988, pelo velho senhor ‘Diretas Já’, Ulysses Guimarães, morto em acidente aéreo no ano turbulento de 1992, o Estado é laico. Não custa lembrar: Oséias Varão é defensor da ‘Cura Gay’, como João Campos

A violência está presente nos múltiplos estratos sociais,  denuncia. Na família, escolas, universidades, ambiente de trabalho, Forças Armadas, poderes Judiciário e Legislativo, polícias civil e militar, além do Poder Público, calcula. “É necessário olharmos para o próximo e suas diversidades”, atira.

– Isso é a base de todas as religiões que estão sendo usadas aqui para discriminar essa mesma minoria.

O vereador Anselmo Pereira (PSDB) criticou a base conservadora da Casa de Leis. Detalhe: com a Bíblia na mão.  Já a também tucana Cristina Lopes, indignada Oseias Varão e a bancada evangélica que ele lidera, acusou-o de suposta homofobia. O que fere o Direito Internacional dos Direitos Humanos, dispara.

Dados exclusivos 

Relatório anual sobre o assassinato de homossexuais, divulgado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, informa que 70 pessoas foram mortas, em 2017, no Brasil, devido à sua orientação sexual. A instituição mostra que 340 gays teriam sido assassinado em 2016, 316 em 2015 e 326 em 2014 em todo o País.

– Desse total de vítimas, o GGB diz que 53% são gays, 27% travestis, 16% lésbicas, 4% bissexuais.

“Onde está o direito constitucional à vida?”

Levantamento estatístico 

O levantamento registra que a maior parte das mortes (195) ocorreu em via pública, por tiros (92), facadas (82), asfixia (40) e espancamento (25), entre outras causas violentas. O assassinato de gays lidera a lista com 162 casos, seguido dos travestis (80), transexuais femininas (50) e transexuais masculinas (13)

– 99% dos crimes contra LGBTs têm como agravante a intolerância, além da vulnerabilidade de grupos como os travestis. Um LGBT é morto a cada 22 horas no Brasil e o País registra 5 denúncias por dia.

Brasil lidera 

O Brasil lideraria o ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais em 2016, conta a comunista Tatiana Lemos. Das 295 mortes de transexuais registradas até setembro do ano passado em 33 países, 123 ocorreram no Brasil, de acordo com dados divulgados em novembro pela ONG Transgender Europe.

– México, Estados Unidos, Colômbia e a Venezuela seguem o Brasil em números absolutos do ranking de mortes de transexuais.

O documento europeu relata que, de janeiro de 2008 a setembro de 2016, foram registradas 2264 mortes de transexuais e transgêneros em 68 países. Em oito anos da pesquisa, o Brasil contabilizou 900 do total dos casos, o maior número absoluto da lista. O Brasil é campeão mundial nos crimes contra LGBT, fuzila

– Quando a homofobia será vista pelos governantes como crime?

 

Veja como votaram os vereadores

Votos a favor:

Alysson Lima (PRB)

Anselmo Pereira (PSDB)

Dra. Cristina (PSDB)

Elias Vaz (PSB)

Jorge Kajuru (PRP)

Lucas Kitão (PSL)

Priscilla Tejota (PSD)

Sabrina Garcês (PMB)

Tatiana Lemos (PCdoB)

Tiãozinho Porto (Pros)

Vinícius Cirqueira (Pros)

Zander Fábio(PEN)

 

Votos contra:

Jair Diamantino (PSDC)

Kleybe Morais (PSDC)

Leia Klebia (PSC)

Rogério Cruz (PRB)

Sargento Novandir (PTN)

 

Abstenções:

Paulo Magalhães (PSD)

Paulinho Graus (PDT)

Ausentes:

Anderson Bokão (PSDC) Cabo Senna (PRP) Carlin Café (PPS) Clécio Alves (PMDB) Delegado Eduardo Prado (PV) Dr. Paulo Daher (DEM) Edson Automóveis (PMN) Emilson Pereira (PTN) Romário Policarpo (PTC) Gustavo Cruvinel (PV) Izídio Alves (PR) Juarez Lopes (PRTB) Milton Mercês (PRP) Oséias Varão (PSB) Welington Peixoto (PMDB)

5-1

saiba antes via instagram @revista.maisjr