3.1 // LGBT

Cidadania de pessoas LGBT é retratado em Minimanual de Jornalismo Humanizado

Analisando mais de vinte notícias publicadas nos últimos meses em veículos de comunicação brasileiros, a 5ª edição do Minimanual de Jornalismo Humanizado, organizada pela Think Olga, avalia como a cidadania de pessoas LGBT* é tratada na mídia e dá dicas aos jornalistas de como melhorar sua cobertura quando lida com as temáticas de sexualidade e gênero.

Dividido em cinco capítulos, o Minimanual, além de apresentar conceitos básicos do contexto LGBT* (como os significados de orientação sexual e identidade de gênero), dá destaque à cobertura da imprensa sobre a bissexualidade, a população trans* e a afetividade lésbica. Ao fim do livro, ainda há materiais de consulta e um glossário.

Uma das primeiras orientações que o Minimanual dá, por exemplo, diz respeito à nomenclatura das Paradas LGBT* (ou Paradas do Orgulho LGBT*), comumente chamadas de “Paradas Gay”. Embora o termo “gay” ainda seja usado, no senso comum, para englobar todos os grupos da sigla, é importante que a imprensa não reforce a invisibilização das demais identidades, como a lésbica, a bissexual e a trans* (transexuais, transgêneros e travestis).

Essa invisibilização se repete quando a imprensa noticia casos de violência por motivação LGBTfóbica. Sempre que se fala desses episódios, diz Nana, o ideal é que o jornalismo busque apontar os responsáveis e empatizar com as vítimas, e não justifique o crime. Um exemplo acertado, segundo o Minimanual, foi o título “Pai tenta estupro corretivo em filha bissexual de 14 anos”, que chamou a atenção para a raiz do crime. Faltou apenas colocar a expressão “estupro corretivo” entre aspas, pois sexualidade nenhuma (principalmente das mulheres lésbicas e bissexuais, as principais vítimas desse tipo de crime) deve ser “corrigida”, segundo o texto.

O Minimanual dá atenção especial às questões da população trans*, que, diferente dos outros grupos (gays, lésbicas e bissexuais), enfrentam batalhas diárias por causa de sua identidade de gênero. Vale lembrar: transexuais são pessoas que não se identificam com o gênero atribuído a elas no momento em que nasceram.

Segundo o coordenador do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, Bernardo Mota, entrevistado por Nana, algumas das principais demandas do grupo são a despatologização de sua identidade, a correção do nome civil e o fim da matança contra a população. Já na imprensa, os maiores problemas que o Minimanual aponta são os equívocos na hora de identificar os personagens (seja o nome ou o gênero) e a perpetuação do estereótipo que associa pessoas trans* à marginalidade. “A identidade trans* é totalmente evidenciada quando essa população é autora de um crime, embora isso não aconteça quando ela é vítima de um crime”, conta Nana. Dois exemplos graves foram a chamada “Traveco mata amiga com caco de espelho” e o título “Travesti conta como é a vida nas ruas em SP” (como se “travesti” e “prostituta” fossem sinônimos).

Um erro recorrente da imprensa ao tratar de personagens travestis é o de ainda chamá-las pelo pronome masculino ou ainda pelo termo “traveco”, de modo pejorativo e desumanizador. Nana diz que, em todas as situações em que se falar sobre alguém trans*, seja para saber que nome ou que pronome usar para fazer referência à pessoa, o ideal é que o repórter pergunte à própria fonte como ela deve ser tratada.

Também foram encontradas nas notícias outras expressões problemáticas, como o termo “sapatão” para se referir a uma mulher lésbica, o verbo “admitir” (que implica culpa) em vez de “assumir” para se falar da revelação de alguém de sua sexualidade e outras palavras que associam pessoas e manifestações LGBT* a estereótipos nocivos.

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