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Cinco países podem receber homossexuais da Chechénia

Nove homens já conseguiram visto para entrar na Lituânia, único país que confirmou envolvimento no processo de asilo

 

por Mariana Branco

 

Depois das perseguições a gays na Chechénia, república maioritariamente muçulmana da Rússia, dezenas de pessoas estão a tentar encontrar segurança em países que se ofereceram para ajudar. Um deles é a Lituânia, o único que confirmou o envolvimento neste processo de asilo. “É muito importante agir porque eles estão em sofrimento”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Linas Linkevicius. Nove homens já conseguiram o visto, mas apenas dois deles já viajaram.

O ministro dos Negócios Estrangeiros não referiu os outros países envolvidos mas descreveu-os como “aliados”. Para o ministro, a decisão do país é uma “mensagem implícita” para Rússia porque estão “a tomar conta de cidadãos russos que viram os seus direitos violados”. A Russian LGBT Network – organização que protege os homossexuais que são perseguidos na Chechénia – também não disse o nome dos países envolvidos nas negociações, mas assumiu que eram cinco, dois deles fora da União Europeia. 

 

Um porta-voz da organização afirmou que o Reino Unido, apesar de condenar as perseguições, não se voluntariou para ajudar. Tal como os EUA, um aviso dado à organização russa pela embaixa. “Não podemos perder tempo sabendo que vão ser negados”, afirmou o porta-voz, que falou sob anonimato, à BBC: “Eles não podem ficar na Rússia por muito mais tempo, sabemos que não é seguro para eles”.

O início das perseguições

No início de Abril foram reportadas perseguições a homossexuais na Rússia pelo jornal Novaya Gazeta. Posteriormente, várias organizações activistas afirmaram que mais de 100 pessoas estavam a ser torturadas num centro de detenções. Pelo menos, três mortes foram reportadas.

Natalia Poplevskaya, da Russian LGBT Network, assegurou haver “uma campanha organizada para deter homens gays”, na república autónoma do Cáucaso. “A tortura é feita com choques eléctricos. Todas as pessoas presas são homens homossexuais ou que se pensem ser gays”, relatou à BBC.

Alvi Karimov, porta-voz do governo checheno, negou estas alegações. “Não se pode prender pessoas que simplesmente não existem na república”, disse. O presidente russo Vladimir Putin assegurou que ia pedir às autoridades para investigarem as alegações.

A organização russa já ajudou a evacuar 43 pessoas. Dezenas estão escondidas na Rússia enquanto se realizam as negociações com os países que os poderão ajudar. 

Merkel pediu ajuda de Putin

A chanceler alemã Angela Merkel manifestou, no início de Maio, a sua opinião relativamente às perseguições a gays na Chechénia. Para Merkel, o presidente Putin deve ajudar a proteger os direitos dos cidadãos homossexuais. Os dois líderes reuniram-se numa conferência de imprensa na Rússia.

Angela Merkel afirmou ter recebido “relatórios negativos sobre a forma como os homossexuais são tratados, especialmente na Chechénia”. A chanceler explicou: “Pedi ajuda ao presidente Putin para usar a sua influência para amenizar a forma como os homossexuais são tratados no país”.

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