3.4 // SAÚDE

Cuidado ao cair de boca

Há alguns anos, os médicos já alertam sobre a capacidade (e velocidade) com que as bactéria adaptam-se aos remédios usados para combatê-las. No momento, a mais preocupante é a responsável por causar uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no planeta: a gonorreia.De acordo com uma série de novos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), os especialistas estão convictos que o sexo oral está piorando o problema.

“Quando você usa antibióticos para tratar infecções, como uma dor de garganta normal, isso se mistura com a Neisseria [diplococo que habita o trato respiratório e causa a gonorreia na garganta] e resulta em resistência”, explicou Teodora Wi, médica no ramo de reprodução humana da OMS a revista VIP.

Como consequência, a bactéria continua ativa na cavidade bucal e pronta para ser transmitida no caso de sexo oral sem preservativo. Geralmente, a doença não é mortal e muitas pessoas que a pegaram nem sequer apresentam sintomas de infecção. Mas, se não for tratada, ela pode causar cicatrizes e inflamações genitais que eventualmente levam à infertilidade e ao mesmo tempo que facilita o desenvolvimento de outras infecções.

Realidade

 

Essa realidade levou as agências de saúde, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, a recomendar o tratamento com um coquetel de antibióticos: azitromicina misturado com outra classe de remédios de último recurso, conhecidos como cefalosporinas, ou ESCs.

Apesar dos esforços médicos, a indústria farmacêutica demonstra não ter interesse em investir neste campo. Diferente de remédios para o coração, que são condições crônicas, a gonorreia é vista como algo que pode ser resolvido com um enxaguante bucal.

Está aí a clara definição de que as coisas irão piorar antes de melhorarem.

 

Fonte: VIP

Foto: Reprodução

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