3.1 // LGBT

Em Franca, diocese quer acolher fiéis gays e lésbicas

“Sê firme e corajoso. Não temas e não te apavores, porque o Senhor, teu Deus, está contigo por onde quer que andes.” Este versículo do livro de Josué, 1,9, simboliza um grande e delicado trabalho da Igreja Católica. No Brasil, ainda é pouco conhecido, e consiste em ajudar pessoas com atração por outras do mesmo sexo. O Courage (coragem, em inglês) é um apostolado de apoio espiritual, que acredita que essas pessoas podem seguir os ensinamentos da Igreja.

O grupo foi fundado em 1980, pelo então arcebispo de Nova York, o Cardeal Terence Cooke, para ajudar as pessoas com atração pelo mesmo sexo a viverem em castidade. No Brasil, o apostolado chegou primeiro em São Paulo, em 2009, e está se espalhando pelo país.

Em visita a Franca, o coordenador leigo nacional, Maurício Marcos Abambres e o padre Cristiano José Soares Sanches, da Diocese de Brasília, foram recebidos pelo coordenador da Pastoral Familiar diocesana de Franca, Padre Valdomiro José de Souza, e mostraram um pouco do trabalho, e o interesse da criação do grupo na cidade.

“Há um desejo, uma proposta para que a gente estruture de uma forma melhor o acolhimento de pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Na nossa vida de padre a gente vê que essas pessoas não se sentem acolhidas pela Igreja, se sentem condenados, à margem, e não é verdade, porque elas estão no coração amoroso da Igreja, como Mãe, e estão também no coração misericordioso do Pai. Já é difícil para ela porque, geralmente, está presente uma angústia existencial. Para a Igreja, antes de tudo, ela é filha de Deus, é amada por Deus e isso não pode ser mudado”, disse o padre Valdomiro.

Maurício disse que o nome Courage foi escolhido exatamente porque é um desafio seguir o caminho que a Igreja pede, que é o caminho de castidade. “O Courage não é um grupo de ex-gays, ele oferece apoio espiritual. Não é um grupo de terapia reparativa que vai fazer com que as pessoas passem de homossexuais para heterossexuais. Ele oferece um apoio para que a pessoa viva aquilo que a Igreja pede. Aprendam que o conceito de pessoa não é apenas a atração sexual dela, ela é um homem ou uma mulher com suas qualidades e características que, às vezes, não correspondem a identidade sexual que ela nasceu”, complementa Maurício.

Junto ao Courage também existe o EnCourage, grupo que trabalha com os familiares de pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. “Quando a gente fala família, é um pouco mais ampliado, porque serve para os amigos, o cônjuge, o filho, ou algum parente que tem uma pessoa que ele ama muito, mas ao mesmo tempo essa pessoa optou por viver uma vida com uma prática de ter um companheiro, e as pessoas se sentem em conflito com os princípios cristãos dela e o amor que sentem pela pessoa, e não sabem lidar com a situação. O EnCourage vem para dar suporte a essas pessoas”, explica Maurício.

O apostolado trabalha também com casais, em que um dos cônjuges descobre a atração pelo mesmo sexo. “A pessoa vem naquele dilema. ‘O que eu faço? Eu largo a minha família e assumo um relacionamento homossexual?’ Tem esse desafio também. Acontece de o marido estar no Courage e a mulher no EnCourage, ambos recebendo o suporte”, comenta Maurício.

O Courage acolhe homens e mulheres acima de 18 anos, sob sigilo total. Enquanto não é criado o grupo na Diocese de Franca, os interessados poderão participar de reuniões virtuais para trocas de experiências, entrando em contato com o apostolado pelo site: http://www.couragebrasil.com ou pelo email: contato@courage brasil.com

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