3.1 // LGBT

O papel das escolas e empresas na desconstrução de gênero

O debate da desconstrução de gênero e a situação do público LGBT no mercado de trabalho é algo recente. Dia 17 de Maio foi oficializado como o dia de combate à homofobia e nesse mês os debates sobre esses temas ganham notoriedade em várias mídias. Um importante avanço sobre a desconstrução de gênero é que chegou à ciência. No Hospital das Clínicas, centro referência na cidade de São Paulo sobre saúde, há um grupo comandado pelos estudantes e docentes de psiquiatria que apoia, ouve e aconselha pais, jovens e adultos sobre o assunto. O preconceito tende a diminuir quando a ciência avança e é exatamente isso que espera-se com essas reuniões semanais.

O que é para ser algo natural, pois o gênero deve ser definido pelo ser humano, e não pelo seu sexo, enfrenta resistência nas escolas, convívio social e mais tarde no mercado de trabalho. Políticas públicas são tomadas em várias partes do mundo para que a desconstrução aconteça dentro e fora de casa.

“No Brasil, com a quantidade de escolas que temos e que são compostas por tantos gestores diferentes, o tema vem ganhando força aos poucos. O alarmante é quando analisamos o sistema de franchising. Muitas redes franqueadoras, ligadas à educação, por estarem inseridas em um sistema mais tradicional, predominantemente comandado por homens, e etc, seguem um padrão de ensino e esquecem de debater assuntos como a desconstrução de gênero e praticar essa desconstrução no dia a dia. Não é papel apenas das escolas letivas e Universidades. Cursos de inglês, profissionalizantes e etc, devem e precisam se posicionar nessas frentes”, explica Leiza Oliveira, CEO das escolas de inglês da Minds English School.

Para promover o engajamento de crianças e jovens no tema, as redes educacionais podem começar com a roda de conversa, alterando a forma como o conteúdo é passado. Isso é, estruturalmente colocar os alunos e professores no formato de círculo para que um possa olhar o outro. Outra tática, utilizada pela escola de idiomas, é o treinamento dos docentes para que possam oferecer conforto e o direcionamento aos estudantes que não se identificam com o seu gênero.

“As crianças são responsáveis por desconstruir e promover a diversidade no seu dia a dia, mas sem um direcionamento não há como elas entenderem”, explica Augusto Jimenez, psicólogo e gestor educacional. Na rede de escolas, Augusto implementou três pilares para debater o tema e erradicar o preconceito. Desenvolveu esse “roteiro” para que as 70 escolas de todo o país conseguissem aplicar ações similares. Já que envolve as 5 regiões do Brasil.

Os três pilares são: Mídia, Educação e Legislação

Desde Julho de 2017, Jimenez incluiu debates em inglês sobre o papel da mídia, educação e legislação na desconstrução de gênero. Além disso, criou alguns pressupostos nos cargos de liderança e benefícios aos funcionários(as) da rede de educacional:

– 30% das vagas de liderança devem ser ocupadas por mulheres;

– Desses 30 %, 15% devem ser negras;

– As pessoas LGBTQ são ouvidas e qualquer sinal de bullying, nas escolas, é erradicado;

– Maternidade e profissão coexistem. As colaboradoras, em algumas escolas da Minds, tem toda a estrutura para amamentação e etc.

“O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo. Nós, como uma rede de educação, não podemos fechar os olhos para isso. O mínimo que podemos fazer é debater o assunto. Os alunos aprendem inglês, mas mais do que isso, aprendem a serem cidadãos e promover a diversidade. O estudante pratica o idioma com assuntos que realmente o cercam”, explica o psicólogo.

Na roda de conversas são debatidos assuntos como: a inserção de pessoas transexuais no mercado de trabalho, se a questão de gênero ainda sobrepõe a questão de raça, intersexualidade e outros marcadores sociais.

Foto: Reprodução

saiba antes via instagram @revista.maisjr