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“O preconceito vem de todos os lados”, diz ativista sobre a homofobia no futebol

“Bicha” e “viado” são apenas algumas das palavras utilizadas em estádios de futebol para tentar diminuir um jogador ou um torcedor adversário, e, com a Copa do Mundo acontecendo na Rússia, foi levantada a discussão sobre a homofobia no futebol. “Nos cantos da torcida, nos olhares que recebemos de reprovação, na perseguição dos jogadores”, afirma Flávia Ellen, torcedora LGBT do Atlético Mineiro sobre como o preconceito se manifesta.

“O que mais me incomoda são os cânticos e os gritos homofóbicos”, diz Mara Nogueira, outra torcedora LGBT do Atlético Mineiro, que faz parte da Galo Queer, torcida organizada contra a homofobia no futebol . Em entrevista ao iGay , ela conta que demorou para perceber o teor pejorativo de muitas frases ditas em um estádio. De acordo com a torcedora, isso acontece porque o preconceito ainda é naturalizado e reproduzido, por exemplo, quando crianças imitam os pais na hora de torcer.

Ela comenta que os estádios deveriam ser um lugar de festa para todos, mas o clima dentro deles não favorece a presença de torcedores LGBT. “Já fui ao estádio algumas vezes com minha namorada e tivemos, sim, medo de demonstrar nossa afetividade em público”, revela Mara. Ela acrescenta que, para poder habitar e frequentar esse espaço, sente que deve se adequar à heteronormatividade.

“Não acho que é preciso ficar no armário, mas nós somos mantidos lá pelos clubes, pelas torcidas e pelo ambiente do futebol”, afirma Flávia acerca do sofrimento dos LGBTs, que não podem expressar afeto e nem sequer suas verdades em tal espaço. Na luta contra o preconceito, ela conta que já participou da fundação Grupa, um grupo de mulheres fãs do Atlético Mineiro, que se posicionam contra machismo, racismo, elitização e homofobia no futebol.

De acordo com ela, todo esse preconceito no futebol não afeta apenas os torcedores, mas também os jogadores dos times em si e até o desenvolvimento profissional deles. “Lembra o Richarlyson, ex-jogador do São Paulo e do Atlético Mineiro? Ele não era um jogador ruim, mas se tornou ‘pior’ por ter ‘gestos de um homossexual’, ainda que tivesse declarado sua heterossexualidade”, exemplifica Flávia.

O empreendedor, ativista e fã de futebol André Fischer conta que, além da torcida, os jogadores podem sofrer preconceito dos próprios colegas de campo. “O preconceito [contra os atletas] vem de todos os lados, da torcida e entre os colegas também”, afirma o gerente da Hornet Brasil. Fischer é organizador da Taça Hornet, evento que teve sua primeira edição no ano passado e tem o objetivo de promover a integração de times de futebol LGBT de todo o país.

De acordo com ele, essa homofobia no futebol contra os jogadores acaba colaborando para que muitos, ao se profissionalizar, optem por não se assumir. “Pelo próprio estereótipo do esporte, os atletas têm receio de se assumir publicamente com o medo de sofrer preconceito. Pode ser mais complicado para a carreira deles”, afirma.

Ele acredita que o preconceito também pode afetar o desenvolvimento dos jogadores em seus times. “Muitos atletas poderiam ter desenvolvido uma carreira profissional. Eles não conseguem fazer isso em times comuns, mas encontram nos novos times inclusivos uma maneira de desenvolver sua total potencialidade”, diz o empreendedor sobre os times que disputam a Taça Hornet.

 

Fonte: IGay

Foto: Reprodução/Internet

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