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Orgulho Gay é comemorado, mas preconceito ainda impera no Brasil

Em 2017, até o início do mês de maio, 117 pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foram assassinadas no Brasil devido à discriminação à orientação sexual. Mas o que se pode comemorar e quais as falhas no sistema quanto ao público?

Segundo o fundador-presidente do Movimento Volta Redonda Sem Homofobia, Natã Teixeira Amorim, o Dia Internacional do Orgulho LGBT+ é uma data para conscientizar a população sobre a importância do combate à LGBTfobia, para a construção de uma sociedade livre de preconceitos e igualitária, independente do gênero sexual.

Essa data, ainda segundo Natã, também é um reforço para lembrar a todos os gays, lésbicas, bissexuais e pessoas de outras identidades de gênero, que todos devem se orgulhar de sua sexualidade e não sentir vergonha da sua orientação sexual.

“O Dia do Orgulho LGBT+ foi criado em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade gay pelos seus direitos em 1969. Esta data marcou a revolta da comunidade LBGT contra uma série de invasões da polícia de Nova York aos bares que eram frequentados por homossexuais, que acabavam por ser presos e sofrer represálias por parte das autoridades”, disse Natã. “A partir deste acontecimento, foram organizados vários protestos em favor dos direitos dos homossexuais por várias cidades norte-americanas e ganhou força também no Brasil essa luta”, completou.

Para o coordenador, a criminalização da LGBTfobia é um aspecto muito forte ainda dentro da luta. “É um ponto muito importante, pois os crimes contra LGBT, por não ter leis que pune, vêm crescendo, sem dados oficiais e acaba passando em brando. Nos LGBT+ devemos se orgulhar de ser quem nos somos, de amar quem nos quisermos. Porém isso não é respeitado e muitos LGBT quando se assumem sofrem repressão da família ou até mesmo da sociedade”, confessou.

Ele lembra a questão do sair ou não do armário. “Hoje o LGBT que assume sua sexualidade ou identidade de gênero em casa e é, na maioria das vezes, expulso de casa pela família. Sem estabilidade financeira, muitos acabam nas ruas, pois o Brasil não tem uma política de habitação e abrigamento para população LGBT. Na verdade, nem para sociedade em geral”, denunciou.

Segundo Natã, hoje o Volta Redonda Sem Homofobia atende cerca de 1 a 3 casos por semana na cidade e também na região; seja verbal, moral ou física a violência. Além de atender pelo menos um caso no mês de expulsão de casa. “Atendemos todos os municípios da região em que temos estrutura de chegar. “A partir daí, damos encaminhamentos ao atendimento. Nossa maior demanda é saúde e delegacia. Em Volta Redonda contamos com uma parceria de uma folha de referência e contra. Temos também nossos serviços gratuitos que oferecemos, que é psicólogo, social e jurídico”, contou.

O Volta Redonda Sem Homofobia existe desde 2013 e quem quiser auxilio do grupo deve fazer contato é só entrar na pagina: https://www.facebook.com/ONGVRSH/. O trabalho é gratuito e o grupo está em busca de parcerias.

CONQUISTAS

Segundo Jaime Marcelo Pereira, presidente da ONG RNP+ Núcleo Médio Paraíba, houve avanços. “Se formos pensar no movimento LGBT no Brasil temos muito que orgulhar e podemos citar: a união homoafetiva; leis estaduais e municipais que pune qualquer tipo de discriminação e temos também um avanço nas discussões em ambiente escolar com uma decisão do Supremo Tribunal Federal”, pontuou.

Para ele, os avanços têm acontecido de forma devagar na região, mas destaca que em Barra Mansa, Volta Redonda e Barra do Piraí “já temos Parada do Orgulho LGBT há pelo menos cinco anos. Em Valença e Resende temos o conselho Municipal LGBT e durante todo ano, em vários eventos ao ar livre, temos a visibilidade LGBT”, lembrou.

Ele ressalta ainda que estão discutindo com o Poder Publico das cidades políticas que possam contemplar a População LGBT, tais como na saúde, assistência social, cultural e nos direitos humanos.

“Temos o Ministério Público que já fez duas audiências para tratar questões LGBT, mas como todo avanço temos muitos casos de violação dos diretos. Temos casos sérios de homofobia em vários ambientes, tais como: escola, casa, comércio e outros. Mas hoje também temos espaço ao ar livre para que possamos expressar a nossa vontade de viver e de ter orgulho de ser LGBT”, finalizou Jaime.

 ORGULHO OU RÓTULO?

Luana Oliveira, de 25 anos, mora no bairro Piteiras, em Barra Mansa. Ela, que é travesti, diz que percebe uma mudança nas leis, mas que não acha nada significativo dentro da realidade. “A sociedade enxerga a gente como se fossemos um lixo humano. O resto, do resto, do resto. Como se não valêssemos para nada”, garantiu.

Ela acredita que as denominações ‘orgulho’ são rótulos “para separar classes e grupos. Acho até meio chato isso. Ninguém tem orgulho de nada. A pessoa já nasce assim e ponto”, concluiu.

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