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Pernambuco ocupa 8º lugar onde o preconceito mais mata essa população no País

A capital pernambucana assistiu, ontem, à 17ª Parada da Diversidade, na Praia de Boa Viagem, em Recife, cujo tema é “Qual a sua plataforma? Defenda a democracia e os direitos LGBTs“. Em ano eleitoral, a animação trazida pelos 12 trios elétricos no evento foi acompanhada pela reflexão sobre a baixa representatividade na política de legisladores comprometidos/as em defender o respeito à diversidade sexual e à identidade de gênero no País.

Só no ano passado, foram mortos no Brasil 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais por crimes motivados pelo preconceito, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia. Em 2018, a intolerância já fez 250 vítimas fatais, o que equivale a 1 morte por dia. Pernambuco está entre os oito Estados com mais casos dessa natureza, com 10 homicídios de janeiro até agora.

Segundo os fundadores da plataforma Me Representa – ferramenta que faz o match entre eleitores/as e candidaturas que compartilham das mesmas opiniões sobre direitos humanitários –, o combate à LGBTfobia passa por uma maior representatividade na política de pessoas que entendam a realidade dessa população. “O que vai influenciar diretamente o enfrentamento à violência é a aprovação de leis para criminalizar o preconceito, além de iniciativas do poder público na educação, saúde e economia”, defende Ana Carolina Lourenço, cientista social e uma das articuladoras da plataforma. Para ela, esse pensamento não deve se restringir às LGBTs, mas também para mulheres, pessoas negras/os, indígenas e demais grupos que, juntos, compõem 80% da população, mas têm pouca ou nenhuma representação na política.

O site me representar tem enviado, desde o mês passado, emails aos 28 mil candidatos/as a cargos legislativos com um questionário abordando nove temas relevantes para a sociedade civil: segurança, corrupção, trabalho, saúde, educação, meio ambiente e povos tradicionais, raça, gênero e LGBT. Nos próximos dias, essas respostas estarão no ar e servirão para os eleitores/as conhecerem quem os representa, digitando as pautas que consideram importantes para a definição de seu voto. A plataforma faz o match entre as escolhas informadas e as candidaturas que priorizam os mesmos assuntos, levando em conta também o comprometimento dos partidos com tais pautas. Para fazer esse levantamento, a ONG avaliou, nos últimos 4 anos, a atuação de todos os partidos com representação no Congresso Nacional ao lidar com os direitos humanos.

O Me Representa existe desde as eleições de 2016 e foi criado por diferentes organizações e coletivos de mulheres, pessoas negras e LGBTs da sociedade civil, com o financiamento da Alianza Latinoamericana para la Tecnología Cívica. Hoje o site se mantém com o apoio voluntário de mais de mil pessoas físicas e jurídicas, entre elas a empresa de sorvetes Ben&Jerry – mundialmente conhecida pelo seu ativismo na luta pela igualdade de direitos a todas as pessoas e em pautas ambientais. Nas últimas eleições municipais, o nome da vereadora assassinada em março, Marielle Franco – mulher negra, lésbica, representante de pautas humanitárias – estava entre as candidaturas que mais apareceram nas buscas da plataforma.

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