3.0 // MANUAL3.2 // HOMOFOBIA

Professor da USP se envolve em polêmica e faculdade emite nota de repúdio

Um professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) divulgou nesta segunda-feira (25) um texto aos alunos de graduação em que defende a ditadura militar no Brasil e critica uniões homoafetivas. O material foi alvo de protestos por parte dos estudantes.

Eduardo Lobo Botelho Gualazzi distribuiu uma mensagem de doze páginas aos estudantes na aula inaugural da disciplina optativa de Direito Administrativo Interdisciplinar. Ele menciona que a disciplina foi criada por ele em 2014 e, na segunda página do documento, faz referência a um episódio daquele ano.

Na mensagem distribuída aos estudantes ele cita uma série de características pessoais: aristocratismo, burguesismo, capitalismo, direitismo, euro-brasilidade, família, individualismo, liberalismo, música erudita, pan-americanismo, propriedade privada e tradição judaico-cristã.

No tópico em que discorre sobre a família, o professor diz que “não é família, mas apenas aberração” agrupamentos discrepantes do que considera “padrão ideal de família conjugal”, constituído pela união de um homem com uma mulher “da mesma etnia”.

Na parte em que se refere ao “burguesismo”, ele destaca que tal característica exclui “aquela eterna minoria de submundo que se recusa a trabalhar e produzir qualquer bem, material ou imaterial”. Segundo ele, “tal minoria é a escrófula da sociedade”.

O texto causou reação entre os estudantes. Em nota, o Centro Acadêmico XI de Agosto, que representa alunos da Faculdade de Direito, repudiou o material. “(Eduardo Gualazzi) reafirma o discurso de ódio à população LGBT brasileira, com ideias ultrapassadas”, escreveu o grupo, que também lembrou a “perseguição, tortura e morte de diversos brasileiros” durante a ditadura.

Nota da USP

A Faculdade de Direito da USP reprovou publicamente as declarações de seu professor, Eduardo Lobo Gualazzi. Ele havia distribuído um texto aos alunos elogiando a ditadura militar e afirmando que pobres são “minoria do submundo” e LGBTS, “aberração”, além de “tarados e taradas”. Celso Fernandes Campilongo, diretor em exercício da faculdade, afirmou que a USP “zela pela liberdade de cátedra e expressão” mas repudia “manifestações de discriminação, preconceito, incitação ao ódio e afronta aos Direitos Humanos”.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca mais um trecho do comunicado de Campilongo à comunidade: “é dever dos docentes, em consonância com a ordem constitucional, enfrentar estereótipos de gênero, raça, cor, etnia, religião, origem, idade, situação econômica e cultural, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT), dentre outras, jamais incentivá-los”.

Publicado por Centro Acadêmico XI de Agosto em Terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

 

 

saiba antes via instagram @revista.maisjr