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Quarta edição do Boteco da Diversidade dá visibilidade à prostituição

Encontro reúne prostitutas, ativistas e pesquisadoras para debater sobre a prostituição como movimento político e estilo de vida
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A quarta edição do Boteco da Diversidade, projeto socioeducativo realizado pelo Sesc Pompeia, dá espaço para debater e trazer visibilidade à prostituição, ao  convidar para o evento prostitutas e pesquisadoras com o intuito de compartilhar vivências e conhecimentos. O encontro acontece no dia 6 de maio, sábado, com início às 20h.

Não se sabe ao certo desde quando a prostituição existe, mas a organização de prostitutas e o espaço livre para falar sobre este ofício é recente. Ainda é vago para a população o reconhecimento da prostituição como movimento político organizado.

No Brasil, a primeira mulher que se declarou publicamente como uma prostituta foi Gabriela Leite (1951 – 2013), na década de 1980, em um encontro de mulheres. “Meu nome é Gabriela, eu sou prostituta”, disse ao se apresentar. Com esta manifestação espontânea, tornou-se um ícone para o movimento de prostitutas. A memória de Gabriela estará viva no Boteco por meio de manifestações poéticas, projeções e encenações das participantes.

O emprego do termo puta ganhou diversos significados com o passar do tempo. Pode ser confundido, por vezes, como uma palavra ofensiva, discriminatória ou pejorativa, mas não para as próprias prostitutas (a quem a palavra faz alusão direta), ao utilizá-la com naturalidade.

Participam dessa edição a prostituta Lourdes Barreto, sua filha Leila Barreto, e as putativistas Monique Prada, Indianara Siqueira, Betania Santos e Amara Moira, que abordaram vertentes como a rotina em bordéis antes das zonas de hoje e o cyber puta ativismo. A quarta edição do Boteco conta com desfile organizada pela DASPU, grife de roupas assinada por Ale Marques voltada para prostitutas, e discotecagem de DJ Dolores.

O Boteco da Diversidade se iniciou no Sesc Pompeia em fevereiro deste ano e acontece em todo primeiro sábado. A primeira edição pautou a visibilidade trans, trazendo para o evento nomes como Laerte, MC Linn da Quebrada, Aretha Sadick, Monstra Errátika e Ariel Nobre. Em março, segunda edição, performances artísticas e debates, com Mel Duarte, Brisa Flow, Barbara Sweet, Danna Lisboa e Clara Averbuck, abordaram vertentes do feminismo. A edição mais recente trouxe trechos cênicos de Lineker, Leo Moreira Sá e Jé Oliveira para questionar o conceito de masculinidade.

Lourdes Barreto
Prostituta, 74 anos, natural da Paraíba, há 50 anos mora em Belém. Fundou a Rede Brasileira de Mulheres Prostitutas e o GEMPAC (Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará).

Betania Santos
Prostituta, Mãe e Ativista dos direitos das mulheres e das prostitutas. É Coordenadora da Associação Mulheres Guerreiras da Zona Itatinga – Campinas SP e integra os coletivos Mulheres Trabalhadoras da  CUT Campinas e Davida.

Indianara Siqueira
Puta, TransVestigenere, Feminista e Vereadora Suplente do PSOL no Rio de Janeiro. Idealizadora do curso PreparaNem e do projeto resistência Casa Nem/RJ. Presidente de TransRevolução e organizadora da Coletiva Temporal Marcha das Vadias do RJ.

Monique Prada
Trabalhadora sexual, ativista, feminista. Escritora, às vésperas de lançar seu primeiro livro. Co-editora do projeto MundoInvisível.ORG e colunista da Mídia Ninja. Presidenta da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais.

Leila Barreto
Ativista e atriz, especialista em Educação pela UFPA. Integrante da Rede Brasileira de Prostitutas e do GEMPAC. É a filha da puta que atua nos dois sentidos – artístico e politico. Idealizou o PUTADEI e o BLOGDASESQUINAS.

Amara Moira
Travesti, prostituta, ativista e doutoranda em teoria literária pela Unicamp. Autora do livro “E Se Eu Fosse Puta” (hoo editora) e Colunista da Mídia Ninja.

Cybele Jácome
Atriz de teatro e cinema, integrou a Cia Carioca do Pequeno Gesto e Cia do Latão. É uma das fundadoras do “El otro núcleo de teatro” onde produziu e atuou com o espetáculo “Gardênia”.

DJ Dolores
Começou sua carreira ligado a cena Mangue Beat de Recife. Trabalhou com diversos músicos, produziu vários álbuns e fez grandes turnês pelo exterior. Atualmente dedica-se a compor trilha sonoras para filmes.

Ale Marques
Estilista e ativista dos direitos LGBTs. Criou com a Daspu a coleção Zona de promiscuidade. Atua em projetos em parceria com Tomie Ohtake e “O Estudio Sem Nome”.

Mariana Lacerda
Documentarista, escreveu e dirigiu quatro curtas-metragens. Ao lado de Claudia Priscilla, dirigiu o filme Pagu Musa Medusa. Ganhou o Prêmio “melhor argumento” com o roteiro Gyuri, do primeiro RecLab (2016).

Claudia Priscilla
Diretora, roteirista e produtora. Dirigiu o documentário Leite e Ferro e o curta “Vestido de Laerte. Com Kiko Goifman, dirigiu Olhe Pra Mim de Novo (2012), road movie no nordeste protagonizado por um homem transexual.

Silvana Jeha
Doutora em História, publicou a biografia de uma prostituta “Beatriz. Resistência, violência e coragem contra a sociedade e o Estado”. Seu livro, “Tatuagem no tempo da marginalidade”, sairá em breve pela Editora Veneta.

Diana Helene
Ilustradora, professora e feminista. Autora do blog “Um dia ainda viro cartunista”, milita pelo movimento social das prostitutas. É autora da tese premiada “Preta, pobre e Puta: a segregação urbana da prostituição em Campinas – Jardim Itatinga.

Soraya Silveira Simões
Professora do IPPUR-UFRJ, Coordenadora do Observatório da Prostituição e integrante do Coletivo Davida. Organizadora do livro “Prostituição e outras formas de amor” (Editora da UFF, 2014).

Paula Mercedes
Formada em cinema, é montadora de séries e documentários como “Expresso Brasil”, “Transando com Laerte” e “Pagu, Musa Medusa”.

Ficha Técnica:
Equipe Curatorial Núcleo Socioeducativo do Sesc Pompeia : Larissa Meneses, Soraya Idehama, Sabrina Ruiz, Daniela Giampietro e Emília Carmineti
Supervisão Gráfica: Ian Herman
Assessoria de Imprensa: Fernanda Porta Nova
Co-curadoria e Produção Executiva: Elaine Bortolanza
Assistente de Produção: Heloisa Feliciana
Artistas e Ativistas Convidadas: Lourdes Barreto, Leila Barreto, Monique Prada, Indianara Siqueira, Betania Santos, Amara Moira, Cybélle Jácome, Claudia Priscila, Mariana Lacerda, Silvana Jeha, Soraya Simões
Iluminação e Ambientação Cenográfica: Cris Souto e Silvia Mokreys
Técnico de Som e Roadie: Duda Gomes e Dennys Vilas Boas
Identidade Visual: Laerte

Serviço:
Boteco da Diversidade: Prostituição
Dia 6 de maio, sábado – 20h

Comedoria
*A capacidade do espaço é de 800 pessoas. Assentos limitados: 150. A compra do ingresso não garante a reserva de assentos. Abertura da casa às 20h30.
Grátis. Retirada de ingresso com uma hora de antecedência.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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