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“Rio Diversidade” aborda questões de gênero e diversidade sexual em SP

De 18 a 22 de julho, o Sesc Avenida Paulista apresenta o espetáculo “Rio Diversidade”, que aborda a temática LGBT e discute as questões de gênero e diversidade sexual. Composta de cinco peças curtas, a montagem traz em cada solo uma pluralidade estética e temática, que aborda, ora com humor e minimalismo, ora com tragédia e realismo, assuntos como intolerância, gordofobia e preconceito.

O espetáculo foi indicado a diversos prêmios e, já esteve em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo, retorna aos palcos da cidade com a estreia de um novo solo, “Ofélia – A Travesti Gorda”. O novo ato reforça o intuito do projeto de colaborar com o debate sobre o respeito e aceitação, desbravando os lugares de afeto muitas vezes invisíveis ou tomados como inaceitáveis socialmente.

A dramaturga e idealizadora da ocupação artística, Marcia Zanelatto, explica a necessidade de diálogo sobre as chamadas minorias e a importância da criação de obras que promovam o debate e a reflexão: “Nossa produção dramatúrgica pode e deve contemplar de maneira mais ampla os afetos e narrativas LGBTQ. Isso é importante para a sociedade. Se não vemos nos palcos e nas telas as pessoas que compõem as chamadas minorias – sejam gays, negros ou idosos – estamos dizendo para elas que elas não importam”.

Os solos são apresentados pela drag queen Magenta Dawning, personagem do ator e diretor Bruno Henríquez: “Ela nasce de um mundo de atrizes, cantoras e personagens que habitam o universo do performer e surge, antes de qualquer coisa, como homenagem e celebração a esse X que todo mundo tem”, explica o artista.

Sobre as peças

Texto de Marcia Zanelatto com direção Guilherme Leme Garcia e atuação de Larissa Bracher, Genderless – Um Corpo Fora da Lei é inspirado na história real de Norrie May-Welby que, em 2010, depois de travar uma luta contra o Estado da Austrália, se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como “sem gênero específico” (genderless). A partir do fato, a peça reflete poeticamente sobre os gêneros masculino e feminino e os conflitos entre as identidades sexuais e as estruturas sociais.

Como Deixar de Ser tem texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Renato Carrera. Na montagem, uma mulher de meia idade, interpretada por Cris Larin, está presa dentro de um “armário-sala”, herança da mãe, simbolizando sua prisão interna. Durante 20 minutos de exasperação, ela divide com a plateia o peso de não ter a coragem de assumir quem é verdadeiramente, revelando seus pensamentos e desejos mais profundos.

Novidade da temporada, a peça-curta Ofelia – A Travesti Gorda, escrita por Helena Vieira e dirigida por Rodrigo Abreu, conta a história de Ofélia, uma travesti gorda, viciada em Coca-Cola. Abordando as questões do corpo gordo, a personagem, interpretada por Magô tonhon, se confronta com as roupas pequenas, a imposição da magreza, a depressão e a vida sexual de uma mulher fora dos padrões estéticos.

A Noite em Claro tem direção de Cesar Augusto e atuação de Thadeu Matos. O autor, Joaquim Vicente, lembra que ainda estava sob o impacto do assassinato do diretor teatral Luiz Antonio Martinez Correa nos anos 1980 quando, numa manhã, um amigo e escritor famoso chegou pouco antes de amanhecer à sua casa e contou que tinha passado “a noite em claro” com um assassino que talvez fosse o mesmo procurado pela morte de Luiz Antonio. O contundente e verídico relato foi transformado em peça.

A última montagem leva assinatura de Jô Bilac na dramaturgia. Com direção de Ivan Sugahara e atuação de Gabriela Carneiro da Cunha, Flor Carnívora aborda uma imaginária sociedade vegetal, onde a plantação de soja quer dar um golpe monocultural, enquanto as demais plantas se insurgem em defesa da pluralidade. Em plenária, a flor carnívora afirma o hermafroditismo das plantas, sua indefinição de gênero, sua intersexualidade, e protesta contra a colonização organizadora do homem, que procura catalogar e normatizar o que a natureza criou diverso. Um ato de liberdade por um mundo menos transgênico e mais transgênero.

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Foto: Elisa Mendes e Marcia Zanelatto

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