3.1 // LGBT

Seguranças de clube no Rio são acusados de agressão por grupo LGBT

Um caso de agressão contra gays, lésbicas e transexuais que participavam, como convidados vips, de uma festa na madrugada de domingo no Clube Monte Líbano, na Lagoa, será investigado pela Polícia Civil e já está sendo acompanhado pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio) da Prefeitura do Rio. O grupo de oito pessoas teria sido espancado por seguranças da festa depois de uma confusão próximo ao palco onde se apresentava a drag queem Pabllo Vittar. A festa era organizada pelo curso de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para ser um show com perfil inclusivo e de diversidade de gêneros, reunindo militantes do movimento LGBT carioca e universitários.

 

O consultor ambiental de 27 anos, que preferiu não ter o nome publicado, disse que as agressões aconteceram por volta das 2h30m. Segundo ele, membro de um coletivo que administra a Casa Nem, na Lapa — instituição referência no acolhimento de transexuais, transgêneros e travestis em situação de vulnerabilidade — os seguranças passaram a desferir socos e pontapés quando eles tentavam subir no palco.

 

— Nós fomos convidados para a festa. Ficamos numa área vip e havia um compromisso dos organizadores de que iriamos subir no palco na apresentação de Pabllo Vittar. Quando tentamos subir, acabamos barrados. A confusão só começou mesmo quando um segurança, sem motivos, deu um murro no rosto de uma transexual — disse o consultor ambiental.

 

Segundo as vítimas, não foi apenas uma violenta agressão, mas um caso explícito de homofobia, transfobia e lesbofobia.

 

— Eu não tenho nenhuma dúvida que a agressão dos seguranças foi movida por um caso claro de lgbtfobia. Você acredita que as agressões ocorreriam da forma que aconteceram se no nosso lugar estivesse um grupo de meninas de classe média e branca? Foi um caso de lgbtfobia — afirmou o rapaz que foi levado para o Hospital Miguel Couto e depois prestou queixa na 14ª DP (Leblon).

 

Policiais civis da 14ª DP informaram ontem que registraram o caso como lesão corporal e estão investigando. Já foram solicitadas as imagens das câmeras de segurança do clube, a lista de todos os presentes e vai ouvir os seguranças da festa para tentar identificar os autores do crime.

 

— Mesmo sendo uma festa que prometia ser inclusiva, o grupo foi agredido pelos seguranças que deveriam cuidar do bem-estar de todos — afirmou a advogada Maria Eduarda Aguiar do grupo Pela Vidda.

 

Todas as vítimas vão se reunir para buscar apoio amanhã, às 16h, com o Coordenador Especial da Diversidade Sexual do município, Nélio Geogini, e o Coordenador do Rio Sem Homofobia, Fabiano Abreu, no Palácio da Cidade, em Botafogo.

 

— Vamos cobrar e acompanhar uma apuração rígida do caso e que os culpados sejam punidos — afirmou Nélio Geogini.