2.6 // POP & MÚSICA3.1 // LGBT

Você não conhece os seus amigos LGBT de verdade

Muito provavelmente, eles são uma pessoa quando estão a vontade com você, mas outra completamente diferente quando estão com a família, mais vigilantes, tensos. Arrisco dizer que às vezes trata-se de alguém totalmente mudado, que você sequer reconheceria se encontrasse por acaso.

 Isso acontece — e a gente sente, e absorve sem conseguir refletir direito, e pouco tem coragem para falar sobre — porque é como se nós inconscientemente achássemos que temos o dever de “compensar” a nossa sexualidade, especialmente para os nossos pais. Explico: é como se já nascêssemos com um defeito tão grave, por conta dos estigmas que recebemos (promíscuos, perdidos, doentes, drogados), que parece que a quota já está tão preenchida que não há espaço para mais nenhum desvio, repito: nenhum. Ainda mais para os que têm irmãos, o tipo de cobrança pode ser especialmente desproporcional no ambiente familiar. 

Ouvimos que: “você não pode ter nenhum tipo de trejeito que destoe muito, deve se esforçar para ter uma boa aparência e atentar-se para a maneira de interagir com os outros”. Sentimos nos olhares que: “não dê (mais) trabalho, tenha um caráter inquestionável e saiba o que quer da vida logo”. Escutamos muito a mais que: “preste atenção nos lugares que vai e nos horários que chega e sai de casa, com quem anda; se ninguém perguntar sobre você, não conte; afinal a vizinha fofoqueira não precisa saber”. 

Saiba que para a família, o seu amigo não beija ninguém, não tem desejo algum e pode ter certeza que nunca — nunca — vão perguntar sobre os relacionamentos dele com a mesma naturalidade que perguntam aos jovens héteros. 

A questão é que se não houver um controle, um modo de aliviar a pressão, tudo isso pode ser motivo de problemas psicológicos muito sérios, como muitos dos meus amigos enfrentam, em silêncio, porque na vida, uma das pancadas mais fortes é você não conseguir ser quem você é de fato. E dói.

 

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